sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Discursos vazios: preciosidades que viraram jargões na fala dos professores!

Algumas expressões popularizadas no meio educacional são usadas hoje com um sentido muito diferente do que tinham originalmente, mostrando que muitos educadores estão se apoiando em idéias frágeis

Por.: Anderson Moço, Beatriz Santomauro e Beatriz Vichessi - Revista Nova Escola - dezembro de 2008


A fala dos educadores brasileiros nunca esteve tão afiada. Conceitos importantes da Pedagogia e as práticas de sala de aula mais valorizadas hoje estão na ponta da língua e ajudam a definir o trabalho docente. Não é preciso estar entre grandes mestres para ouvir citações de Paulo Freire (1921-1997), como a importância de “focar a realidade do aluno” durante o planejamento, ou sobre o construtivismo – a necessidade de “levantar o conhecimento prévio” da turma.

No entanto, conforme a conversa avança, percebe-se que, na média, ela está calcada num discurso vazio. O resultado é a transformação de idéias consagradas – como formar cidadãos – em jargões que perderam o significado original. Esse conceito, difundido com a redemocratização do país, relacionava-se à necessidade de as pessoas terem um preparo que lhes permitisse atuar na sociedade – incluído aí saber ler e escrever e os demais conteúdos do currículo.

Hoje, o sentido de cidadania propagado em muitos projetos está relacionado apenas a ações de preservação ambiental ou de cunho social – como se socializar o conhecimento construído pela humanidade, ou seja, ensinar, já não fosse tarefa suficiente para a escola. “Os professores usam essas expressões sem refletir sobre elas e sem compreender em que se baseiam”, ressalta Raymundo de Lima, professor do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e estudioso do discurso docente.

Essa realidade revela, mais uma vez, a precariedade da formação dos educadores, que se ressentem por não terem um conhecimento pedagógico adequado. “Eles buscam um referencial teórico, mas, como não conseguem se aprimorar, acabam fazendo no dia-a-dia um trabalho intuitivo e equivocado”, afirma Andrea Rapoport, doutora em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A conclusão é resultado de uma pesquisa realizada por ela para identificar os referenciais citados pelos docentes. “Grande parcela dos que afirmam se basear em determinadas correntes pedagógicas ou pensadores deixa o discurso cair por terra quando precisa justificar essas escolhas”, analisa Andrea.

Muitas das expressões que estão na boca dos educadores não surgiram do nada. Ao contrário, exprimem conceitos importantíssimos. Separadas dos contextos históricos e teóricos em que foram criadas, no entanto, elas acabaram sendo banalizadas. Hoje, é difícil encontrar um professor que não afirme fazer uma avaliação formativa. Porém quantos realmente sabem como ela deve ser realizada e para que servem seus resultados?

Diante disso, a proposta desta reportagem é contribuir para colocar um fim nesse blablablá da Educação, ajudando a deixar as frases-prontas de lado e a se aprofundar no verdadeiro significado das idéias por trás delas – a princípio, tão ricas. Selecionamos dez expressões populares no Magistério atualmente e mostramos de onde elas provêm, seu sentido original e como foram distorcidas. Essa leitura é apenas um ponto de partida para o desafio, que requer muito estudo. Mas o fim do discurso vazio certamente virá acompanhado de um impacto positivo na qualidade das aulas.


“Sempre dou essa atividade de fração porque a turma aprende brincando, sem se dar conta.”

• Origem

O aprender brincando surgiu em reação a antigas práticas escolares. Até a década de 1960, eram comuns os castigos físicos e as propostas de ensino que não consideravam os conhecimentos de crianças e jovens nem se preocupavam em envolvê-los em desafios que fizessem sentido para eles.

De fato, o processo de aprendizado nem sempre é fácil, mas resulta em satisfação. A criança aprende de muitas maneiras e com base em diferentes recursos: convivendo com os colegas, se comunicando com adultos e descobrindo seus limites em situações formais e informais.


• Por que perdeu o sentido

A difusão do “aprender brincando” ocorreu em oposição ao que é apresentado como difícil. “Passou-se de um extremo a outro, isto é, de uma aprendizagem com sofrimento para a brincadeira”, explica Esther Pillar Grossi, professora e fundadora do Grupo de Estudos Sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação. A questão é isso ter se tornado a principal forma de ensinar e uma das motivações intrínsecas ao aprendizado. Desse modo, fica a impressão de que brincar é essencial para mediar as situações de ensino. “O dito em espanhol ‘la letra con sangre entra’ particulariza, para a alfabetização, a idéia de que aprender é algo muito penoso e desagradável”, explica Esther.

No livro Os Jogos e o Lúdico na Aprendizagem Escolar, o professor Lino de Macedo, da Universidade de São Paulo (USP), afirma que o lúdico deve propor desafios ao estudante e encaminhá-lo para a construção dos conhecimentos, mas não significa necessariamente algo agradável na perspectiva de quem faz a atividade. “Se fosse só assim, poderíamos, por exemplo, vir a ser reféns das crianças ou condenados a praticar coisas engraçadas, mesmo que sem sentido.”

O objetivo da escola é ensinar os conteúdos das diferentes disciplinas, e não necessariamente proporcionando divertimento o tempo todo. A aprendizagem gera conflito, exige que a criança fique instigada a buscar respostas a problemas apresentados a ela e levanta dúvidas. O que precisa trazer prazer é a satisfação de aprender, evoluir e se apropriar do conhecimento. “A máxima da escola não pode ser aprender brincando porque aprender é difícil – assim como ensinar”, conclui Tereza Perez, diretora do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac).


“Para levantar o conhecimento prévio dos estudantes, eu organizo uma roda e converso com todos sobre o assunto.”

• Origem


De acordo com Macedo, da USP, " o conhecimento prévio é relativo a cada um e, por isso, supõe uma investigação caso a caso"

A importância do conhecimento prévio – um conjunto de idéias, representações e dados que servem de sustentação para um novo saber – se desenvolveu a partir da segunda metade do século 20 com o construtivismo. Nessa concepção, não existe ponto de partida zero sobre o que se vai ensinar ou aprender. Todos (alunos e professores) sempre sabem alguma coisa, mesmo que de modo implícito, do tema a ser trabalhado. Investigar o conhecimento, dentro dessa perspectiva, representa o início da relação entre o ensino e a aprendizagem. “O estudante é compreendido como alguém que domina algumas coisas e, diante de novas informações que para ele fazem algum sentido, realiza um esforço para assimilá-las”, explica Telma Weisz, consultora da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, no livro O Diálogo Entre o Ensino e a Aprendizagem. Ao fazer uma avaliação antes de iniciar um conteúdo, o professor consegue planejar suas interferências porque tem meios de determinar por onde começar. A ação nas próximas etapas não fica só intuitiva – é direcionada para “o que” e “como” deve ensinar.

“Não se trata de um teste, mas de uma situação real de ensino. As atividades indicadas para dar início a um projeto são aquelas que ativam os saberes das crianças”, diz Regina Scarpa, coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA. Nesse tipo de atividade, cada aluno vai buscar os dados em seu repertório interno de maneira diferente. “O conhecimento prévio é relativo a cada um e, por isso, supõe uma investigação caso a caso”, completa Macedo, da USP.


• Por que perdeu o sentido

Ao longo dos anos, os professores reconheceram a importância de investigar o que crianças e jovens já sabem antes de começar o trabalho sobre um novo tema. No entanto, mesmo sem ter aprendido exatamente como fazer isso, muitos deles passaram a utilizar a expressão em seu dia-a-dia. Em certos casos, eles até fazem uma avaliação inicial e registram comentários, mas não utilizam esses dados para planejar as aulas ou pensar sobre as intervenções que necessitam ser feitas em classe.

É preciso ter clareza também que não é perguntando o que o aluno já sabe sobre um assunto que se faz o levantamento do conhecimento prévio, mesmo porque nem sempre é fácil para ele verbalizar as informações quando é questionado. Além disso, cada conteúdo de ensino requer uma forma de abordagem. Não adianta questionar sobre temas já dominados nem ser tão desafiador a ponto de a turma não conseguir sequer entender a proposta. Outro equívoco é considerar que tudo o que foi trabalhado foi aprendido e, por isso, é possível seguir adiante. Conhecimento prévio não pode ser confundido com pré-requisito, exigência de aprendizagem que todos devem possuir como base para a experiência seguinte.


“Um de nossos objetivos para este ano é formar cidadãos. Por isso, propus um projeto de coleta de material reciclável.”

• Origem

A frase começou a se popularizar entre os professores em meados da década de 1980 como conseqüência da redemocratização brasileira. “O surgimento do sujeito crítico, criativo e participativo se deu, institucionalmente, com o renascimento da autonomia do país após a ditadura”, afirma Maria de Lourdes Ferreira, docente da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, em Minas Gerais, e autora de diversos trabalhos sobre o tema. A Constituição de 1988 define cidadania como um dos princípios básicos da vida e ressalta que as instituições sociais, dentre elas a escola, precisam estar comprometidas com a formação cidadã. Cerca de dez anos depois, o papel da escola nesse processo foi descrito nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que se definem como meio de garantir que “a Educação possa atuar, decisivamente, no processo de construção da cidadania”.

Cabe à escola, portanto, formar pessoas bem informadas, críticas, criativas e capazes de avaliar sua condição socioeconômica, dimensionar sua participação histórica e atuar decisivamente na sociedade e na economia. E isso se faz quando todos os professores cumprirem o dever de ensinar os conteúdos curriculares, a começar por ler e escrever.


• Por que perdeu o sentido

Além das instituições de ensino, participam de forma fundamental na construção da cidadania o governo, as organizações sociais e a família. Interpretações equivocadas sobre a função de cada uma dessas instâncias na formação do cidadão levaram a uma descaracterização do papel da Educação. Outro fator decisivo para a deturpação da idéia foi a falta de um currículo definido em cada rede – detalhando o que ensinar em cada série e disciplina –, o que tem levado muitas escolas a trabalhar sem uma proposta pedagógica clara e objetiva. Para completar, muitos professores não fazem um planejamento focado nos conteúdos de cada área.

No livro Escola e Cidadania, o sociólogo suíço Philippe Perrenoud provoca: “De que serve aprender princípios cívicos ou detalhes da organização do Estado quando não se consegue ler o texto de uma lei?” Para o educador, a formação da cidadania passa pela “construção de meios intelectuais, de saberes e de competências que são fontes de autonomia, de capacidade de se expressar, de negociar, de mudar o mundo”.

Esse esvaziamento da função primeira da escola gerou uma série de atividades sem foco na aprendizagem que, supostamente, têm o objetivo de despertar a cidadania e provocar a conscientização de crianças e jovens. Dentre essas situações têm destaque as campanhas e os projetos sobre meio ambiente, diversidade cultural e violência. “É enorme o número de projetos enviados ao Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 com o objetivo de despertar a consciência ambiental e o respeito pelas diferenças com a justificativa pura e simples de que são importantes para a formação do cidadão”, conta Regina Scarpa. O que os alunos aprendem, efetivamente, ao fim de um trabalho desses? Se a proposta apresentada é recolher material reciclável, a turma vai aprender a recolher material reciclável, e o objetivo de um projeto não pode ser só esse.


“Este ano, tenho uma turma heterogênea e, por isso, nem todos vão estar alfabetizados até dezembro.”

• Origem


Antes da década de 1930, os exercícios de repetição eram a única estratégia de ensino

Com a criação dos grupos escolares, logo após a proclamação da República, no fim do século 19, surgiu o que se convencionou chamar de turmas homogêneas. O conceito se encaixa numa antiquada corrente pedagógica que trabalha para um único perfil de aluno e pressupõe que existe uma turma com características semelhantes e, portanto, homogênea. Os exercícios de repetição eram a única estratégia de ensino, fazendo parecer que todos os estudantes tinham o mesmo desempenho e ritmo de aprendizagem. Afinal, eles seguiam modelos e apenas uma resposta era correta. A partir da década de 1930, a Educação passou a acolher as preocupações da Psicologia quanto às diferenças entre os indivíduos e a usar situações-problema. Lev Vygotsky (1896-1934) escreveu em A Formação Social da Mente que o educador deve ter uma estratégia diferenciada para cada criança porque elas não sabem igualmente o mesmo conteúdo nem aprendem de uma só maneira. Já na década de 1990, a ampliação do atendimento escolar fez chegar à sala de aula crianças de classes sociais menos favorecidas, o que deixou mais clara essa heterogeneidade.


• Por que perdeu o sentido

A mudança na forma de ensinar e a universalização do Ensino Fundamental acabaram, definitivamente, com a ilusão da homogeneidade. Ao mesmo tempo, a expressão “turmas heterogêneas” passou a ser usada como uma das explicações para o fato de alguns não avançarem nos conteúdos. O conhecimento dos alunos pode não corresponder ao esperado para a série, mas essa variedade de níveis em uma turma tem de ser usada de forma produtiva. “A troca de saberes entre os pares deve ser buscada: o desafio é encarar cada um na sua individualidade e promover a interação entre as diferentes habilidades a favor da aprendizagem”, explica Lino de Macedo. Nos trabalhos em grupo, quem domina conteúdos e procedimentos diversos pode confrontar hipóteses, compartilhar estratégias e colaborar com os colegas.


“Com este projeto, consegui aumentar a auto-estima de várias crianças.”

• Origem

A expressão se popularizou com a universalização do Ensino Fundamental, nos anos 1990, quando muitos dos estudantes de baixa renda que ingressaram na escola tinham dificuldade na alfabetização e na aprendizagem das várias disciplinas. Professores creditavam isso à baixa auto-estima gerada pela pobreza. A idéia é equivocada e preconceituosa, como provam diversos estudos. A auto-estima não é determinada pelo nível socioeconômico ou cultural. “O que leva a uma maior valorização pessoal é aprender”, afirma Beatriz Cardoso, diretora do Cedac.


• Por que perdeu o sentido

Com o objetivo de aumentar a auto-estima das crianças, instituições do terceiro setor passaram a oferecer programas culturais e as escolas a propor atividades que não têm um foco claro na aprendizagem dos conteúdos. Ao mesmo tempo, premiações e elogios viraram moda. “Pensar que a garotada precisa de afago e estrelinhas mostra um distanciamento do que é essencial na Educação, que é promover conhecimento”, completa Beatriz.


“Em todos os trabalhos, faço avaliação formativa e contínua.”

• Origem

A avaliação formativa enfoca o papel do estudante, a aprendizagem e a necessidade de o educador repensar o trabalho para melhorá-lo. A prática surge da preocupação com o processo de aprendizagem e não só com o produto ou com as notas como ponto final da aprendizagem. Testes, análises de relatórios, provas, apresentações orais, comentários ou produção de textos se aplicam também à perspectiva tradicional de ensino. “O que diferencia as duas é o que se faz com os dados: enquanto no jeito tradicional os exames são classificatórios, na avaliação formativa eles servem para redirecionar o trabalho docente para permitir que cada um avance em seu ritmo”, diz Cipriano Luckesi, da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia.


• Por que perdeu o sentido

Cientes de que é necessário ficar constantemente atentos a todo o percurso de aprendizagem, os professores começaram a empregar a observação como estratégia do que passaram a chamar de avaliação formativa. Além de não utilizarem o resultado dessa análise para redirecionar a prática, deixam de lado as provas e outros instrumentos de verificação da aprendizagem. A razão é o fato de as notas não serem mais tão valorizadas como a única função da avaliação. O resultado disso é que não conseguem mensurar quanto as turmas avançaram na aprendizagem de cada conteúdo. “A avaliação só tem sentido se visa como ponto de partida e de chegada o processo pedagógico”, dizem Delia Lerner e Alicia Palacios de Pizani no livro A Aprendizagem da Língua Escrita na Escola.


“Trabalho com projetos interdisciplinares para abordar todas as áreas ao mesmo tempo.”

• Origem

O conceito de interdisciplinaridade surgiu no fim da década de 1960, na França e na Itália, e logo chegou aos Estados Unidos. Nessa época, os universitários lutavam contra a fragmentação das áreas e sua especialização, buscando a aproximação do currículo aos temas políticos e sociais. O discurso chegou ao Brasil e foi impulsionado pelos “temas geradores”, conceito apresentado por Paulo Freire no livro Pedagogia do Oprimido, de 1968. De acordo com ele, a intenção era propor aos indivíduos dimensões significativas de sua realidade, cuja análise crítica lhes possibilitasse reconhecer a interação entre as partes. Dessa forma, eles poderiam compreender melhor o mundo e atuar nele de forma consciente e participativa. Freire diz ser indispensável ter, antes, a visão total do contexto para, depois, separar seus elementos. Com esse isolamento, é possível voltar com mais clareza ao todo analisado.

No Ensino Fundamental, um trabalho interdisciplinar é aquele em que se estuda um tema integrando disciplinas com a intenção de que o conhecimento seja global e tenha significado para a garotada. Ele deve ser bem delimitado e permitir que haja o diálogo entre os conteúdos estudados para que os saberes sejam aprofundados. “O conhecimento é interdisciplinar. Ele é formado por fatos, conceitos e procedimentos relativos a áreas diferentes”, diz Tereza Perez, do Cedac.


• Por que perdeu o sentido

A idéia começou a ser valorizada e a ganhar adeptos por todo o país com o passar dos anos. Na década de 1990, quando Freire assumiu a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, ela chegou a muitas escolas paulistanas. No entanto, não foi sempre bem aplicada. Em primeiro lugar porque nem todo bom projeto necessita ser interdisciplinar, como muitos acreditam. Alguns conteúdos são bem ensinados em apenas uma área, não precisando de interação com as demais.

A relação entre as disciplinas deve aparecer dentro de situações didáticas que realmente possibilitem a aprendizagem em cada uma delas – e não apenas num formato em que sejam utilizados conhecimentos já adquiridos. Mostrar um mapa na aula de Matemática, por exemplo, não é ensinar Geografia, assim como apenas pedir a leitura de um texto de História não é aprofundar-se na Língua Portuguesa. O trabalho interdisciplinar terá cumprido sua função se o aluno passar de um estágio de menor conhecimento para outro de maior conhecimento em cada um dos conteúdos envolvidos.


“Sempre parto do interesse dos alunos quando vou definir com que conteúdos devo trabalhar.”

• Origem

A idéia nasceu com a Escola Nova, no início da década de 1930. O movimento é considerado o mais vigoroso grupo de renovação da Educação do país depois da criação da escola pública burguesa. Os ideais escolanovistas se popularizam no Brasil pela ação de um grupo de intelectuais liderados por Anísio Teixeira (1900-1971). “O grupo de Teixeira se opunha à visão tradicional da escola, na qual cabe ao professor transmitir conhecimentos aos alunos, que devem permanecer em silêncio e atentos às explicações”, explica Raymundo de Lima, da UEM. Para o movimento, o aumento do poder do estudante era essencial – sua vontade e sua capacidade de agir, espontaneamente, deveriam substituir a imposição, pelo professor, de julgamentos prontos. “Essa foi a primeira tentativa no país de diminuir a verborragia dos mestres em aula e de olhar mais para crianças e jovens”, ressalta Lima.

O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova foi lançado em março de 1932 e assinala que a “nova doutrina, que não considera a função educacional como uma função de superposição ou de acréscimo (...), transfere para a criança e para o respeito de sua personalidade o eixo da escola e o centro de gravidade do problema da Educação”. Passou-se a considerar o que os alunos pensam e a entender que eles têm idéias a ser respeitadas.


• Por que perdeu o sentido

Apoiados na concepção de que é necessário ter como base o interesse da turma, muitos educadores passaram a colocar a intencionalidade do ensino e o planejamento prévio em segundo plano. Essa deturpação foi ganhando espaço a ponto de algumas escolas chegarem a começar o ano sem determinar quais conteúdos devem ser trabalhados em aula e a orientar o corpo docente a descobrir primeiro o que a garotada quer estudar para depois se planejar. “A idéia, em casos como esses, é que alguns temas geradores podem levar a aulas mais participativas”, explica Priscila Monteiro, consultora educacional, formadora de professores e selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10. “O problema é que, sem um planejamento detalhado e um currículo claro a seguir, a tendência é de perda na qualidade do ensino”, diz ela.

Em didática, são três os pilares do processo de ensino e de aprendizagem: o conteúdo, a maneira como a criança aprende e o modo como o professor ensina. Na escola tradicional, o foco está no conteúdo e o mestre é quem domina e transmite seu saber. Com a Escola Nova, houve uma mudança: a figura central passou a ser o aluno e seus interesses. “Basear-se apenas no que ele quer aprender, contudo, é uma idéia restritiva, pois cabe à escola trabalhar conteúdos novos e desconhecidos e que, por isso, não podem ser mencionados naturalmente como uma curiosidade”, ressalta Priscila.

É claro que o interesse que as turmas têm por determinados assuntos deve ser considerado. No entanto, é preciso ter como base os conhecimentos didáticos específicos para planejar a abordagem e as intervenções a fazer. O grande desafio hoje é desenvolver a sensibilidade para propor situações-problema desafiadoras que despertem a atenção de todos.


“Todo dia, começo as atividades pedindo um texto livre para desenvolver a criatividade das crianças.”

• Origem

A valorização da criatividade como uma capacidade humana que deve ser estimulada começou a ocorrer no começo da década de 1950, com a mudança de conceitos vigentes até então. “Nesse período, muitos acreditavam que a inteligência era uma dimensão relativamente fácil de ser medida e a criatividade era um atributo de poucos privilegiados”, explica Eunice Soriano de Alencar, da Universidade Católica de Brasília. Uma série de pesquisas realizadas, sobretudo nos Estados Unidos, mostrou que não é possível medir a inteligência de maneira satisfatória e que, na realidade, ser criativo é algo inato a todo ser humano.

A partir dos anos 1980, dezenas de livros sobre o tema foram publicados, revelando que um ambiente livre e propício à inventividade ajuda a desenvolver essa capacidade. Com as mudanças tecnológicas e sociais do mundo contemporâneo, estimular o lado criativo das pessoas passou a ser vital e a escola acabou vista como uma das principais responsáveis por esse trabalho. “Estar preparado para solucionar problemas de forma criativa é algo indispensável no cenário deste novo milênio, em que inovar é uma palavra de ordem”, acredita Eunice.


• Por que perdeu o sentido

Considerando a importância de desenvolver a criatividade da turma, muitos professores passaram a propor atividades sem um conteúdo claro de aprendizagem e a justificar seu objetivo como sendo o de estimulá-la. O problema disso é que o objetivo da escola é ensinar conteúdos específicos, o que pode ser foco de avaliação para determinar se a turma avançou ou não – o que é mais difícil de ser feito quando falamos de um conceito como a criatividade. Além disso, é importante ressaltar que não se pode desenvolver a capacidade de criar lançando mão de qualquer tipo de trabalho e que ninguém inventa algo de maneira espontânea.

Os alunos necessitam de um repertório amplo para que consigam desenvolver essa capacidade com autonomia. Não é a inspiração que importa, mas o empenho e o trabalho realizado. “Criatividade é a capacidade de fazer relações entre os conhecimentos. Assim como só se aprende algo novo com base no que já conhecemos, só é possível criar com base em nosso conhecimento prévio sobre um assunto”, explica Monique Deheinzelin, orientadora de projetos curriculares, formadora de professores e autora de diversos livros sobre o tema.

Cabe à escola, portanto, dar oportunidades para todos desenvolverem seu percurso criador, promovendo a flexibilidade, a abertura ao novo, a habilidade de propor soluções inovadoras para problemas diversos e a coragem para enfrentar o inesperado. O educador pode trabalhar atividades que não sejam tão fechadas a ponto de permitir somente uma resposta e nem tão abertas para que qualquer coisa possa ser aceita. “Pedir trabalhos com um produto final já conhecido ou propor atividades mecânicas e repetitivas, como colocar as crianças para pintar um desenho pronto, não leva ninguém a ser mais criativo”, explica Monique. Para isso, é preciso propor ações transformadoras, por meio das quais sejam mobilizados novos saberes.


“Em meus projetos, foco sempre a realidade dos alunos, que moram ao redor do mangue.”

• Origem

A idéia foi muito propagada por Paulo Freire, que valorizava a presença do saber dos estudantes das camadas populares na sala de aula. Ele propunha que, com uma pesquisa prévia do universo dos termos falados pelos educandos, fossem selecionados alguns – as chamadas palavras geradoras – para que propiciassem a formação de outros e também funcionassem como ponto de partida para que a turma compreendesse o mundo e organizasse seu pensamento a respeito dele. Ou seja, Freire sempre destacou a necessidade de ultrapassar as fronteiras da realidade mostrada pelas palavras. Tanto que ele defendia a Educação como prática de liberdade e dizia que “o povo tem o direito não só de saber melhor o que já sabe mas também saber o que ainda não sabe”. Por isso, defendia que é importante ampliar e aprofundar o conhecimento sempre.


• Por que perdeu o sentido

Muitos professores trabalham concentrados somente no meio em que vivem os estudantes e acabam por simplificar o pensamento freireano, julgando que isso facilita o aprendizado. Acreditam que é preciso tomar como base só o que já é conhecido. Então, ensinam primeiro o conceito de bairro para depois apresentar o de cidade, estado e país, por exemplo. Como se a lógica de compreensão dos conceitos estivesse atrelada à maior ou à menor proximidade física e como se fosse possível mensurar a complexidade desses conceitos baseando-se nas dimensões geográficas. “Não se aprende somente com base no que temos à nossa volta, no que é considerado ‘concreto’ e no que os adultos consideram simples”, afirma Roberta Panico, do Cedac.

Outra crença que criou raízes no pensamento dos educadores é que a realidade é o limite do que deve ser ensinado. O professor não pode decidir não trabalhar conceitos relativos ao sertão porque leciona em uma região litorânea. “O mal provocado por essa atitude é a condenação do aluno à estagnação. Com isso, a escola deixa de cumprir seu papel”, diz Vera Barreto, coordenadora do Vereda – Centro de Estudos em Educação. Entrar em contato com o diferente permite analisar a realidade com mais riqueza porque oferece fontes para comparação.

Ir além do que já é conhecido também garante o cumprimento do que sugerem os PCNs, já que o cotidiano de um estudante que é filho de operários da construção civil, por exemplo, não tem vínculos com a sociedade da Grécia antiga, tema presente nas aulas de História. “Se o professor ficar focado somente no local, não terá como abordar todos os conteúdos”, completa Vera.

O Planejamento: momento indispensável da prática pedagógica

O planejamento é a etapa mais importante do projeto pedagógico, porque é nela que as metas são articuladas às estratégias e ambas são ajustadas às possibilidades reais. Existem três tipos de planejamento escolar: o plano da escola, o plano de ensino e o plano de aula.


O primeiro traz orientações gerais que vinculam os objetivos da escola ao sistema educacional mais amplo. O plano de ensino se divide em tópicos que definem metas, conteúdos e estratégias metodológicas de um período letivo. O plano de aula é a previsão de conteúdo de uma aula ou conjunto de aulas.


O planejamento escolar é um processo de racionalização, organização e coordenação da atividade do professor, que articula o que acontece dentro da escola com o contexto em que ela se insere. Trata-se de um processo de reflexão crítica a respeito das ações e opções ao alcance do professor. Por isso a idéia de planejar precisa estar sempre presente e fazer parte de todas as atividades – senão prevalecerão rumos estabelecidos em contextos estranhos à escola e/ou ao professor.

Para José Cerchi Fusari, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, não há ensino sem planejamento. “Se a escola é o lugar onde por excelência se lida com o conhecimento, não podemos agir só com base no improviso”, diz. “Ensinar requer intencionalidade e sistematização.” O poder de improvisação é sempre necessário, mas não pode ser considerado regra.
Planejar requer: - Pesquisar sempre; - Ser criativo na elaboração da aula; - Estabelecer prioridades e limites; - Estar aberto para acolher o aluno e sua realidade; - Ser flexível para replanejar sempre que necessário.

Leve sempre em conta: - As características e necessidades de aprendizagem dos alunos; - Os objetivos educacionais da escola e seu projeto pedagógico; - O conteúdo de cada série; - Os objetivos e seu compromisso pessoal com o ensino; - As condições objetivas de trabalho.

Com base nisso, defina: - O que vai ensinar; - Como vai ensinar; - Quando vai ensinar. - O que, como e quando avaliar. Trabalho coletivo


Planejar é um ato coletivo que envolve a troca de informações entre professores, direção, coordenadores, funcionários e pais. Isso não quer dizer que o produto final venha a ser um documento complicado. Ao contrário, ele deve ser simples, funcional e flexível.
E não adianta elaborar o planejamento tendo em mente apenas alunos ideais. Avalie o que sua turma já sabe e o que ainda precisa aprender. Só assim você poderá planejar com base em necessidades reais de aprendizagem.
Esteja aberto para acolher o aluno e suas circunstâncias. E, é claro, para aprender com os próprios erros e caminhar junto com a classe.
Fonte:
Revista Nova Escola - www.novaescola.com.br

Saber explicar: é isso que o aluno espera do bom professor!

Fazer associações

Explicar, segundo os dicionários, é dar compreensão a outra pessoa. “Crianças e adolescentes dependem da intermediação de adultos para aprender”, diz a pesquisadora e consultora Elvira Souza Lima. “Não há ensino sem explicações.” A capacidade de cada aluno de entendê-las relaciona-se com os mesmos mecanismos de quase todo aprendizado, ou seja, a utilização da experiência pessoal ou da associação com informações que ele já tem. Por isso cabe ao educador ajudar os estudantes a vasculhar o próprio conhecimento. “O maior desafio é expressar-se de acordo com os processos de pensamento da turma, em especial se forem crianças”, afirma Elvira. Ao planejar uma explicação, é fundamental prever que conceitos serão expostos à turma e como isso será feito, para obter o máximo de clareza e atingir os objetivos (leia o quadro abaixo):


O que e como explicar

Recursos para explicações
- Divisão em tópicos - Analogias - Esquemas gráficos - Exemplos e antiexemplos - Conexões com a experiência do aluno - Humor


Tipos de abordagem

- Definição de conceitos - Similaridades e diferenças - Causa e efeito - Finalidade - Processos


Tipos de conceitos

- Concreto x Abstrato - Familiar x Técnico

Para avaliar explicações
- Análise de gravações das aulas - Entrevistas com os alunos
Você mesmo pode aferir a eficácia de cada método. Elvira Souza Lima indica dois caminhos para isso:
* O primeiro é a análise do próprio desempenho mediante o registro das aulas, em vídeo ou áudio.
*O segundo é conversar com os estudantes e escutar o que eles têm a dizer, para ver o que entenderam. Assim você avalia melhor a sintonia que se estabelece entre professor e alunos.


Cinco Abordagens

As explicações podem seguir cinco tipos de abordagem:

* Definição de conceitos: Eles podem ser concretos ou abstratos e familiares (presentes no dia-a-dia) ou técnicos (restritos a especialistas). Os abstratos e técnicos demandam mais explicação, porque estão além da experiência sensorial e imediata.

*Semelhanças e diferenças: É hora de dar um passo maior. Com essa abordagem, você compara, distingue e/ou classifica as informações em grupos. Para tratar de catolicismo e protestantismo, por exemplo, um quadro comparativo é um bom material de apoio.

* Causa e efeito: Essa abordagem mostra como um fenômeno leva a outro numa seqüência lógica. É o melhor jeito de explicar acontecimentos como a eclosão de uma guerra ou o surgimento de um movimento artístico.

*Diagramas: facilitam a compreensão.

*Finalidade: Mostrar “para que serve” um trabalho evoca a experiência dos alunos e os ajuda muito a entender. Um bom exemplo é falar de princípios de saúde e mostrar como eles se aplicam à prática de esportes.

*Processos: Quando lança mão dessa abordagem, você revela como as coisas funcionam. A ênfase é na seqüência de itens. Por isso, essas duas dicas:
Uma recomendação: o humor é um bom aliado para tornar as explicações mais acessíveis e interessantes. Conhecer os comentários que vão divertir a turma só depende de você.


Um alerta: abrir espaço para debates durante a apresentação só serve para atrasar o processo e desviar o assunto. Uma vez encerrado um tópico ou um tema, porém, a discussão é bem-vinda.

Fonte:
Revista Nova Escola - www.novaescola.com.br

O clima emocional é essencial para haver aprendizagem

Para o filósofo e sociológo chileno, além de conhecer os conteúdos que ensina, o professor deve saber identificar as necessidades dos alunos Por.: Rodrigo Ratier - Revista Nova Escola- dezembro de 2008

Entre 1995 e 2000, o chileno Juan Casassus esteve à frente de um ambicioso estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), sobre a qualidade da Educação na América Latina. A pesquisa, realizada em 14 países – incluindo o Brasil – e publicada no livro A Escola e a Desigualdade, analisou fatores que favorecem o bom desempenho dos estudantes. Docentes com formação sólida, avaliação sistemática, material didático suficiente, prédios adequados e famílias participativas apareceram como características importantes. Mas um aspecto lhe chamou a atenção: ter um ambiente emocional adequado, gerado pelo bom relacionamento entre professor e aluno, também é fundamental. “Essa descoberta me surpreendeu. Com base nela, direcionei meu foco para entender melhor o papel das emoções na vida em geral e na aprendizagem em especial.” Para transmitir o gosto pelo conhecimento, diz o filósofo e sociólogo especialista em Educação, um professor precisa dominar os conteúdos de sua disciplina – e também saber acolher as turmas, identificando e trabalhando interesses e sentimentos. De seu escritório em Santiago, ele falou por telefone com NOVA ESCOLA sobre o assunto.
Como surgiu sua curiosidade pelo papel das emoções na aprendizagem?
JUAN CASASSUS - Comecei a prestar atenção no assunto quando fui encarregado de dirigir o Primeiro Estudo Comparativo em Linguagem, Matemática e Fatores Associados para Alunos de Terceira e Quarta Séries do Ensino Fundamental (Peic). Foi um programa da Unesco realizado entre 1995 e 2000 em 14 países da América Latina que incluiu uma análise comparativa dos currículos, entrevistas com pais e professores e aplicação de provas de Linguagem e Matemática a 54 mil estudantes. O objetivo era compreender os fatores que influem no desempenho dos alunos.
O que essa pequisa descobriu?
CASASSUS - O achado mais surpreendente foi a importância do ambiente favorável à aprendizagem na escola – mais especificamente, a necessidade de um clima emocional adequado dentro da sala. Nas instituições em que os alunos se dão bem com os colegas, não há brigas, o relacionamento harmonioso predomina e não há interrupções nas aulas, eles se saem melhor. Verificamos que o desempenho deles chegou a ser superior em 36% na nota média da prova de Linguagem e 46% na de Matemática.
Qual o peso do clima emocional em relação aos outros fatores ligados à aprendizagem?
CASASSUS - Muito grande. Na nossa pesquisa, ele teve uma importância maior do que todos os demais fatores somados. E veja que examinamos mais de 30 variáveis, como condições de trabalho, salário, experiência e formação dos professores, o número de livros em casa e na biblioteca, o tempo que os pais passam diariamente com os filhos e o total de alunos por classe.
De que forma o ambiente emocional pode favorecer o aprendizado?
CASASSUS - Quando os estudantes se sentem aceitos, os músculos se distendem e o corpo relaxa. O reflexo disso é que eles se tornam mais seguros. Assim, o medo se reduz, as crianças ficam mais espontâneas e participativas e sem temor de cometer erros – quero sublinhar que o mecanismo da tentativa e erro é fundamental para aprender. Confiantes, elas são capazes de mostrar até mesmo o momento em que o interesse pelo assunto tratado em sala desaparece – e o porquê de isso ter ocorrido. Construir uma relação assim pode demorar, mas certamente nunca será desperdício de tempo.
Agindo assim, o professor não corre o risco de perder o controle da classe, agravando a indisciplina?
CASASSUS - Acredito que, quando a turma aprende coisas motivantes, o problema da indisciplina desaparece, já que muitas vezes ela é conseqüência do tédio produzido por aulas pouco interessantes. Se o conhecimento é significativo para a criança, ela deseja aprender. Por outro lado, se não há interesse na matéria, vai haver bagunça na classe. Para combater esse comportamento e também a violência, não adianta criar mais punições. É preciso ver quais necessidades de acolhimento e quais emoções a escola ainda não conseguiu compreender.
Há situações em que essa estratégia pode falhar?
CASASSUS - Sim. Mas respeitar os sistemas de valores dos estudantes, sua lógica e seus problemas não equivale a dizer que o professor precisa ser amigo deles. Ele pode e deve usar sua autoridade para advertir algum jovem por atitudes inadequadas na aula ou em relação a outro colega. Isso é bem diferente de ser autoritário e controlar a classe ameaçando com castigos, notas baixas e punições que provocam medo e tensão. Essa estratégia, infelizmente, é a escolha de boa parte das escolas.
Como conseguir que o conteúdo seja significativo para os alunos?
CASASSUS - Qualquer currículo moderno pode se adaptar a temas de interesse deles. Afinal, o aprendizado exige uma motivação interna de quem aprende. Por exemplo: se preciso falar de Física, de estrutura dos materiais ou de conceitos como velocidade e aceleração, posso usar como base carros de corrida ou outro tema mais próximo do universo de crianças e adolescentes. É possível encontrar caminhos para que esse entusiasmo se encaixe no planejamento curricular. Dessa forma, consigo elaborar dezenas de atividades. Trata-se de adaptar o conhecimento a uma maneira compatível com o fluxo natural em que a turma está inserida naquele momento.
Isso implica abrir mão de abordar alguns conteúdos curriculares?
CASASSUS - Não. Eles continuam sendo essenciais. A mudança principal não é no “que” ensinar, é no “como”. É saber que o interesse dos estudantes está relacionado às suas condições de vida e que se pode explicar qualquer matéria adaptando-a a essa lógica. É preciso estar preparado para situações inesperadas, encontrando soluções inéditas e criativas em vez de recorrer sempre ao mesmo jeito de ensinar. Um bom professor, que conhece sua disciplina e as emoções de seus alunos, consegue fazer isso.
O que é exatamente uma emoção?
CASASSUS - Não há consenso. Alguns a classificam como uma resposta a fatos marcantes. Outros a consideram uma disposição para a ação. Para mim, emoção é mais do que a simples experiência fisiológica ou psicológica. É uma energia vital, que liga os acontecimentos do mundo externo com o mundo interno de cada um de nós. Muitas de nossas atitudes são disparadas por uma emoção.
Qual o impacto dessa idéia no campo da Educação?
CASASSUS - É forte, pois o que aprendemos e como aprendemos depende das emoções. As pesquisas da chamada “década do cérebro”, os anos 1990, ressaltam que percebemos o mundo antes pelos nossos sentimentos, por meio de estímulos recebidos pelos sentidos, do que pela razão. Daí a importância de um ambiente de respeito mútuo como estímulo para a aquisição de conhecimentos.
Atualmente, como as escolas têm lidado com as emoções?
CASASSUS - Mal, porque herdaram um modelo antigo de instituição de ensino. No século 19, quando os sistemas educativos nacionais foram criados, predominava uma visão racionalista do ser humano. Tudo que tivesse a ver com corpo e emoções tinha de ser afastado porque ia contra o desenvolvimento da faculdade superior de raciocinar, vista como o caminho do progresso e da felicidade. O resultado disso foi a criação de uma organização antiemocional, onde prevalecem as humilhações, as comparações, os juízos de valor e as desqualificações. O resultado é uma escola indisciplinada e violenta.
É preciso repensar o que é o aluno?
CASASSUS - Sim. O sujeito da Educação deve deixar de ser encarado como puramente racional. Ele é um indivíduo que se divide em três partes: razão, emoção e corpo. Essa forma diferente de pensar muda completamente a maneira de ensinar, que até agora tem sido condutivista – ou seja, baseada na idéia de estímulo-resposta: a crença de que bastava o professor explicar a matéria para que todos aprendessem. Isso fracassou e o que se observa, em geral, é uma desmotivação fenomenal nas crianças. É preciso pôr ênfase em outros aspectos. O principal deles é o que chamo de conectividade.
O que é conectividade?
CASASSUS - É a competência que o professor tem para escutar o aluno, aceitá-lo sem preconceito e vê-lo como um ser humano. Como resultado, ele se abre para a aprendizagem. Se essa relação é generalizada, a sala de aula passa a ter um bom ambiente emocional. É preciso competência emocional para a conectividade. Um exemplo: dando aula para jovens de 18 anos, percebi que eles tinham muita vergonha de se expor. Para favorecer o aprendizado naquela turma, tive de garantir que as atividades em sala não os pusessem em situações limite de vergonha para que aprendessem, sem medo nem inibição, o que eu ensinava.
Em geral, a formação dos professores não inclui essa atenção à dimensão emocional. O que eles podem fazer para se aprimorar nessa área?
CASASSUS - A Educação Emocional já começa a aparecer como tema de cursos em alguns países, como Chile e Argentina. Mas ainda somos analfabetos emocionais. Há pouca discussão sobre o tema. Para o educador, creio que uma medida importante é realizar um trabalho de autoconhecimento para lidar com as emoções de forma mais madura.
Qual é o objetivo desse processo de autoconhecimento?
CASASSUS - A idéia é compreender melhor de que forma nossos sentimentos são disparados e o que fazer com eles. Cada um está relacionado a uma gama possível de ações, que depende das competências emocionais de cada um. No livro La Educación del Ser Emocional, conto um exemplo pessoal: em minhas corridas matinais, sinto medo de passar em frente à casa de meu vizinho porque, certa vez, o cachorro dele me mordeu. Para superar a fobia, preciso educar meu ser emocional – não para apagar a lembrança do fato, mas para “desligar” a reação de atravessar a rua quando me lembro disso.
Como um professor emocionalmente educado pode trabalhar melhor?
CASASSUS - Ele consegue identificar, ler e trabalhar não apenas as próprias emoções mas também as das pessoas a seu redor. No diálogo com os alunos, o docente presta atenção não somente nas palavras, mas em atitudes, gestos, expressões e linguagens corporais. Essa capacidade sensível de entendê-los e pôr-se no lugar deles é essencial para induzir o processo de aprendizagem.
Como realizar isso na sala de aula?
CASASSUS - Eu diria que existem sete atitudes para o desenvolvimento da Educação Emocional. A primeira é dar-se conta dos próprios sentimentos. A segunda, observar o que ocorre com a turma. A terceira, entender as pessoas para estabelecer conexões com elas. A quarta, cuidar da qualidade dessas interações. A quinta, ter consciência das ligações entre as coisas que acontecem na aula. A sexta, demonstrar empatia pelo que acontece com o outro. E, por fim, se responsabilizar pelo que ocorre em sala, sem ficar procurando fora dela culpados pelos insucessos.

Analfabetos em números

Por que a matemática continua sendo o ponto fraco da educação brasileira e as idéias dos especialistas para que nossas crianças se apaixonem por ela
Por: Paulo de Camargo - Revista Claudia - outubro de 2008

Na extensa lista de mazelas da educação brasileira, uma em particular vem tirando o sono dos especialistas: o déficit no aprendizado da matemática. No principal exame internacional de avaliação de estudantes, o Pisa, sigla para Programme for International Student Assessment, o Brasil ficou na lanterna no ensino de matemática, entre 41 países participantes, no teste realizado em 2003, e em 54o lugar, entre 57 países, em 2006. A prova avalia estudantes com 15 anos. Estudos com alunos brasileiros em outras etapas da vida escolar confirmam essa tendência. O último teste aplicado pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) mostrou que 80% dos alunos de 4a série, 87% dos de 8a série e 87,3% dos de 3a série do ensino médio não atingiram a pontuação mínima adequada. Ou seja, na média, um aluno da 8a série no Brasil não consegue analisar gráficos de colunas, acha difícil lidar com conversão de medidas e não tem a menor idéia de como efetuar cálculos de juros. Pelos padrões internacionais, já deveriam saber tudo isso.
As más notas são um sintoma eloqüente, mas ainda não dão a dimensão exata da gravidade da doença. Ignorar os conteúdos básicos da matemática significa estar despreparado para a cidadania. Afinal, lidamos com números ao fazer uma receita de bolo, planejar o orçamento doméstico, decidir se é melhor comprar um eletrodoméstico a prazo ou à vista ou mesmo ao tentar compreender as preferências dos eleitores em uma eleição democrática. Mas o aprendizado da matemática tem um papel ainda maior, conforme explica a pesquisadora Inés María Gómez Chacón, professora titular da Universidade Complutense de Madri: é essencial para a formação das estruturas de pensamento das crianças e dos jovens. “Matematizar é um exercício de gerar nexos com a realidade”, diz ela. Outro especialista de renome, João Pedro da Ponte, catedrático em ciências da educação da Universidade de Lisboa, complementa: “Contribui certamente para o desenvolvimento de um pensamento rigoroso e para a compreensão do que é e do que não é um argumento válido”. Ou seja: vêm aí gerações inteiras de crianças e jovens que terão maior dificuldade de inserção no mundo globalizado, onde a chave-mestra é a capacidade de aprender continuamente.
A situação é mais grave nas camadas menos favorecidas e no sistema de ensino público, mas está longe de se concentrar nesses estratos sociais. Em 2007, pela terceira vez, o Instituto Paulo Montenegro, ligado ao Ibope, ouviu pessoas de todas as faixas etárias buscando mapear o analfabetismo funcional – num paralelo com o mundo das letras, esse conceito identifica pessoas que sabem ler palavras, mas são incapazes de escrever uma carta. A constatação do trabalho é dramática: pouco menos da metade da população com idade entre 15 e 64 anos, com ensino médio e superior completos, pode ser considerada plenamente alfabetizada em matemática. “Comparando com resultados de anos anteriores, o dado preocupante é que não houve uma melhora significativa”, diz Ana Lúcia Lima, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro. “É uma catástrofe.”
Para compreender as origens do problema, é preciso separar as dificuldades específicas do ensino da matemática das deficiências estruturais do ensino brasileiro, como professores desvalorizados, mal formados e sem condições adequadas de trabalho. Há pelo menos duas ordens de questões: as metodológicas, ou seja, aquelas relacionadas a o quê e como ensinar, e outras diretamente ligadas a um preconceito socialmente difundido de que matemática é para “iluminados”. Nesse ponto, os Parâmetros Curriculares Nacionais, criados pelo Ministério da Educação há dez anos para oferecer um norte pedagógico aos professores das diferentes regiões do país, são modernos: prevêem a utilização de estratégias como o uso de jogos e uma aproximação amigável com o universo dos números. “Mas há uma grande distância entre a teoria e aquilo que efetivamente chega à sala de aula”, diz a pesquisadora Kátia Smole, uma das autoras do PCN na área da matemática. Nas escolas brasileiras, desde o ensino fundamental, os alunos deparam com um conhecimento desconectado da realidade. “Como a matemática é apresentada por meio de uma linguagem sofisticada e nada natural, há obstáculos de decodificação”, explica Antonio José Lopes, doutorando pela Universidade Autônoma de Barcelona e autor de livros didáticos. Para Maria Tereza Carneiro Soares, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Paraná, consultora do Pisa, esse é um dos motivos para o insucesso dos alunos brasileiros no Pisa, que cobra um conhecimento matemático cotidiano e indispensável para o mundo do trabalho.
O que se busca hoje é tirar da educação matemática o excesso de formalismo da linguagem – apresentada como se fosse uma sucessão de fórmulas, regras e enunciados –, de maneira a aproximá-la da vida real, passando a ter mais sentido para o aluno. Pode ser muito prazeroso descobrir quanto de matemática existe na confecção de uma pipa ou participar de jogos nos quais a compreensão das regras passa pelos princípios matemáticos fundamentais. É essa distância entre modos de ensinar a matemática que separa, por exemplo, o jovem Mateus Henrique Pedroso Cárdia, 11 anos, de sua mãe, a professora de educação infantil Sílvia Helena, que não consegue ajudá-lo nas questões envolvendo números. “No meu tempo de escola, era uma matéria difícil, teórica”, diz ela. No colégio de Mateus, os professores sempre traçaram paralelos entre a vida concreta e o conhecimento teórico. “O resultado é que eu sempre tive dificuldades, mas o Mateus adora; ele me apresenta uma dúvida e logo encontra, pelos próprios caminhos, a solução.”
Uma ciência para poucos. Essa visão sobre a matemática está por toda parte. A pesquisadora Inés Gómez Chacón, autora do livro Matemática Emocional (Artmed), analisou o grande impacto das emoções no aprendizado dos números. Para ela, boa parte da dificuldade se explica pelo grau de ansiedade e pela auto-estima dos estudantes. Quanto mais autoconfiantes, melhor o desempenho com números; já a baixa auto-estima leva a um medo excessivo de cometer faltas, a uma diminuição no grau de atenção, na memorização e até mesmo na eficácia do raciocínio. Com base nisso, propõe novas condutas em sala de aula, mostrando ao aluno que suas idéias são importantes e que a matemática não é um mundo de certezas, mas também um conhecimento experimental. O estudo mostra ainda a importância do papel dos pais no fortalecimento da auto-estima da criança.
Aprender os números não é uma capacidade inata, lembra a pesquisadora Kátia Smole. O aluno precisa aprender que existem muitos caminhos, e não apenas aquele que o professor ensina. “Por outro lado, há alunos talentosos e fascinados pelos desafios da matemática, mas muitas vezes os professores nem atentam para isso, pois estão centrados nos procedimentos e técnicas”, afirma ela. Não pode haver trajetória melhor do que a do pintor Antonio Peticov. O artista repetiu cinco vezes de ano, em grande parte por suas dificuldades com o aprendizado dos números. Hoje, tornou-se famoso em muitos países porque sua arte incorpora conceitos matemáticos, como a Regra de Ouro. Baseada em uma seqüência algébrica conhecida como Número de Fibonacci e muito utilizada no Renascimento, estabelece proporções geométricas de modo, por exemplo, a guiar a atenção do espectador para certa seção da obra. Por esse talento, Peticov foi convidado a integrar a Lewis Carroll Society, que reúne especialistas em matemática das mais diversas áreas. “Há matemática em tudo, na arte e na vida”, diz ele.
Fonte:
Revista Claudia - http://claudia.abril.com.br

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Escola e Informática

O mundo contemporâneo, globalizado e informatizado, exige que a escola reflita imediatamente seus currículos e reenfoque seus objetivos; que se prepare para a era tecnológica e para educar para o novo milênio.Computadores se fazem presentes a todo o momento no nosso cotidiano, no trabalho, na comunicação, no lazer, na pesquisa, enfim, são ferramentas primordiais da contemporaneidade e no processo de ensino-aprendizagem das novas gerações.Como pode a escola ficar à deriva desta nova era? É preciso incorporar estes recursos tecnológicos também no cotidiano escolar. No entanto, não basta apenas adquirir máquinas e continuar com a tradição das aulas acadêmicas, descontextualizadas, que recorrem ao computador apenas para tornar uma pesquisa mais fácil, na qual o “imprimir” é o serviço mais solicitado.É preciso que a escola construa um novo perfil no seu “sistema” de ensino e revalide o seu papel; que seja a “Windows” por onde continuemos a vislumbrar a educação, a informação e o conhecimento e que seu “software” seja sempre renovado, a fim de se tornar mais motivadora e interessante.O uso de computadores na escola precisa ser mais eficaz, no sentido de fazer as coisas certas; e para que isso aconteça, há necessidade de um contínuo crescimento dos profissionais envolvidos na educação. Esta é a tarefa mais árdua: promover mudanças significativas e abandonar a “enganação” e “a mesmice informatizada”.Se a escola não sabe fazer, tem que buscar parceria, que possa dar assessoria completa, tanto na parte pedagógica quanto na parte de capacitação de profissionais. Isso é partilhar, delegar e acreditar que se pode, através de ações coletivas, obter a essência da eficácia como resposta.A informática na escola, utilizada com eficácia, auxilia no processo de alfabetização, possibilita a flexibilidade e a personalização dos conteúdos adaptados à escola e à região; possibilita uma forma de estudar mais dinâmica com animações, links, leituras complementares, hipertextos, zoom de imagens, sala de reforço, plantões de dúvidas; permite aos professores trabalharem em um mesmo tema com enfoque em sua matéria; acessar e utilizar bancos de dados e informações; através de simulações facilita e estimula o entendimento, além de permitir a interação total dos alunos com o mundo, reforçando o aprendizado e promovendo o letramento.Temos que aprender a lidar com desafios. O Prof. Gretz (Revista Profissão Mestre – dez/2004, p.20) diz que os desafios para os professores são semelhantes em todas as épocas, “o que muda é apenas uma roupagem diferente, um cenário com a conjuntura própria de cada tempo”. Concordo. Porém, não podemos fechar os olhos às mudanças, às roupagens e cenários novos e ficar estáveis e impávidos, achando que está tudo bom ou que essa onda vai passar, que é só uma questão de tempo...Temos, sim, é que encontrar meios e recursos para acompanhar esta conjuntura própria de cada tempo; que qualifiquem a escola, independente da época. Temos que proporcionar aos alunos um bom desempenho profissional, pessoal e na vida, lembrando sempre da enorme responsabilidade que a escola tem de ensinar, formar, informar e educar, em qualquer época, em qualquer conjuntura e em qualquer tempo.

Vanja Ferreira

Criatividade em sala de aula

Todos nós sabemos que a competição é uma característica inerente ao ser humano. Desde a infância, na escola, em casa ou com os amigos, precisamos ser os melhores. No ambiente de trabalho não é diferente: buscamos o melhor desempenho. Está sempre presente uma cobrança velada para que sejamos "perfeitos", pois somente assim seremos reconhecidos. No mundo do esporte, o exemplo é ainda mais presente, pois o atleta que fez o impossível para atingir o seu objetivo é aquele que consegue o retorno, com seus momentos de glória.
A experiência tem demonstrado que a busca pela informação deve ser sempre motivada, desde cedo, para que o senso de pesquisa seja internalizado e a obtenção dos dados seja como um esforço desprendido. Sem perder de vista a qualidade de ensino e a adequação de conteúdos à realidade em permanente evolução, o educador precisa buscar novas alternativas, incluindo atrativos capazes de motivar o educando.
Fazendo uma analogia com esses fatos, verifica-se que, via de regra, as pessoas estão constantemente apostando em suas ações, objetivam um retorno e buscam a motivação para seguir em frente.
Baseada nesse sentimento, acredito que o professor que adota em sua metodologia um instrumento criativo para desenvolver os seus conteúdos estará criando, automaticamente, um agente motivador que fará com que a aprendizagem seja conduzida e encarada como uma meta a ser conquistada na busca de um prêmio, o aprendizado.
Anote as seguintes dicas, faça as devidas adaptações à sua realidade e procure colocá-las em prática:
Use jogos educativos e atividades lúdicas em suas aulas.
Aproveite todo o ambiente escolar.
Busque auxílio nos meios de comunicação.
Valorize a opinião dos seus alunos.
Solicite uma avaliação das suas aulas aos seus alunos.
Usando criatividade em sala de aula, o professor desperta maior interesse nos educandos pela aprendizagem. Você é capaz! Vamos tentar?
*Maria Luiza Kraemer
O que você pode ganhar com o marketing pessoal*
Existem certas palavras e expressões que, por uma motivo ou outro, caem na vala comum dos chavões. Sua simples menção causa risinhos de desdém e rapidamente são excluídas do dia-a-dia. Somem das conversas, são relegadas ao dicionário. E ainda assim as suas companheiras de página as olham de lado, com aquele arzinho de superioridade. Foi o que aconteceu com "marketing pessoal". Como os conceitos precisam ser expressos de alguma maneira, outros termos precisam ser criados.
No caso do "marketing pessoal", surgiram "personal organization", "personal style" e "personal planning", todos com uma grande vantagem, trazem um profissional a tiracolo.
No entanto, o conceito continua o mesmo: é preciso cuidar de sua carreira e para isso existem alguns passos fundamentais. Acompanhe:
1. Encontre as suas melhores características - Todos temos alguma coisa em que somos melhores. Lógico, é importante que você desenvolva aquelas áreas em que ainda não é tão bom - mas mais importante é refinar os pontos nos quais você é melhor do que a maioria. Afinal, o que uma escola iria preferir contratar: um professor médio em todas as categorias,ou um excelente profissional em um ou dois quesitos? Qual vai marcar os alunos? Para fazer isso, você deve conhecer seus pontos fortes. É preciso ser muito honesto consigo mesmo para fazer uma boa auto-análise e descobrir suas qualidades. Não tenha pressa para fazer isso. Converse com seus amigos, pois muitas vezes eles têm uma visão mais completa e imparcial.
2. Cuide do brilho dos seus olhos - Bem Zander, maestro e autor de A Arte da Possibilidade, diz que consegue perceber quando sua equipe não está bem. Ele então faz com que relembrem o motivo pelo qual se dedicam à música: o prazer de se comunicar com pessoas, de mostrar a cada um que a vida pode ser e é maravilhosa, de emocionar as pessoas, fazê-las ver, por alguns minutos, o céu na terra. Você também deve resgatar a sua paixão por ensinar. Zander diz que poderia galvanizar e pasteurizar a equipe, com isso um som tecnicamente muito bom. Mas sem alma, sem sentimento, sem... - desculpa, pessoal, mas não existe outra palavra - tesão. Sem esse resgate, tudo o que você fizer em marketing pessoal soará falso.
3. Faça de conta que você se deu uma nota dez no início do ano - Segundo Bem Zander, isso faz com que você livre-se da pressão para atingir um objetivo, ficando assim livre para atingir todas as suas possibilidades. A única regra: escrever uma carta a si mesmo no final do ano, começando com "Eu tirei dez esse ano porque..."
4. Em vez de buscar o ótimo, faça o bom - Muitas pessoas param de tentar melhorar, param de procurar novas possibilidades porque acham que não dominam tanto determinado assunto, ou que ainda não estão prontas. Os melhores educadores trabalham com o que têm, vão em frente, fazem a diferença. A melhora vem com a prática, uma vez que a perfeição é inatingível. Assuma isso, faça seu crítico interno baixar a voz e ouse fazer.
5. Cuide dos pontos mais óbvios - Sua carreira passa pelo seu guarda-roupa e aparência. E isso não significa gastar muito dinheiro ou passar horas em salões de beleza. Seja inteligente, busque peças que possam ser combinadas de várias maneiras, escolha um corte de cabelo bonito e fácil de manter. Essas pequenas ações têm uma grande vantagem: não aparecem. Todos comentam um professor mal vestido ou, ao contrário, a educadora "perua". Mas o professor que se veste com gosto e simplicidade se destaca por seu valor, não pelo guarda-roupa.
6. Busque opiniões sinceras, o tempo todo - Faça pesquisas entre seus alunos de tempos em tempos; dê "aulas" para seus colegas ou família; grave-se em vídeo. É a única maneira de descobrir o quanto está melhorando ou se sua carreira está avançando na direção que você deseja.
7. Mostre-se ao mundo - Vá além das fronteiras da sua instituição de ensino. Procure associações de bairro e de professores; dê rápidas palestras. Envolver-se com instituições assistenciais também ajuda a construir sua imagem.
8. Tecnologia a seu favor - A Internet também funciona como um grande meio de divulgar a sua imagem e carreira. Muitos professores mantém sites com currículo e dicas úteis para os internautas. Atualize seu endereço constantemente, pois todos os dias, jornalistas, alunos, professores e donos de escola buscam informações e pessoas que possam ajudá-los. Dê motivos para que eles o procurem. Além disso, ter um site é uma ótima maneira de organizar seu currículo. Mantenha a versão de papel enxuta e acrescente "mais informações podem ser obtidas em meu site" e o endereço.
9. Cuidado com as pequenas coisas - Já que falamos sobre site, vale a pena gastar um pouco mais e registrar seu endereço como "professoramaria.com.br" do que usar um provedor com nome quilométrico, cheio de números e palavras que não dizem nada a você ou sobre você. Da mesma forma, sua secretária eletrônica deve ser simples, nada de gravar gracinhas.
10. Lembre-se de que não existe mais essa tal de privacidade - Seus alunos podem tirar fotos de você com celulares, assim como podem gravar suas aulas em aparelhos que você nem consegue enxergar. Se isso é verdade em sua sala de aula, vale o dobro para as ruas. Você não vai andar 24 horas por dia de terno e guarda-pó, mas também não se permita "tomar todas" em barzinhos com os alunos. Encontre uma linha média de descontração e profissionalismo.
11. Simplifique - Ataque uma questão de cada vez, buscando a maneira mais descomplicada de avançar em sua carreira de resolver seus problemas. Em caso de dúvida, lembre-se da sexta grande regra dos professores de sucesso: não leve-se demasiado a sério. Ah, e não existem as cinco primeiras regras. É só a sexta.
*Brasílio Neto

Literatura de Cordel

É o CORDEL, unindo arte e poesia

O cordel, esse gênero tão brasileiro e popular de poesia, não é uma invenção nossa. Essa literatura, que tem o nome de cordel porque os folhetos ficavam pendurados em cordões nos locais de venda, foi trazida por portugueses e espanhóis. Sua origem remonta à Idade Média quando nas praças, os trovadores divulgavam velhas histórias, especialmente, os romances de cavalaria que contavam as epopéias do rei Carlos Magno e dos Doze Pares de França ou de Amadis de Gaula.Narrativas de amor, guerra, heroísmo, viagens e conquistas marítimas, além dos fatos mais recentes do dia-a-dia, eram os temas preferidos do público. Por volta dos séculos XVI e XVII , trazidas para o Brasil, as histórias eram decoradas, transmitidas de forma oral e enriquecidas pela memória do povo. Aqui, o cordel chegou junto com os colonos e encontrou um solo fértil. Tanto que até hoje é uma tradição forte e viva, principalmente no Nordeste do país e continua sendo uma das formas de comunicação mais autênticas nas pequenas cidades daquela região.Quando não havia jornais, rádio ou televisão, a poesia popular ocupou esse espaço por meio de cantorias e, mais tarde, também através da forma escrita, os folhetos eram impressos, ilustrados em tipografias rústicas e vendidos nas feiras pendurados em cordões. Ficavam prontos em poucas horas. Assim que um fato relevante acontece - como a vitória do Brasil em uma Copa do Mundo, a morte de alguém famoso, secas, uma grande enchente ou mesmo um caso de adultério-, os cordelistas produzem um relato extra-oficial, popular e poético dos fatos. Temas como a história do Brasil, de lutas, de assombrações, de fé são, também, comuns na literatura de cordel. E outro assunto muito divulgado nessa literatura são as dificuldades enfrentadas pelo povo nordestino.Ariano Suassuna, autor de O Auto da Compadecida, e que é também um dos maiores estudiosos da nossa cultura, classifica em dois tipos a poesia popular do Nordeste: o tradicional, com as narrações sobre heróis, amores, religião e outros e o improvisado, cujos versos são criados no calor da hora pelos cantadores, muito comum principalmente nos desafios.Os cordéis são conhecidos pelo povo apenas como folhetos que são feitos de papel jornal e impressos em gráficas antigas; na capa, geralmente, trazem desenhos bastante simples, muitas vezes em xilogravura. Esta arte alcançou tal destaque que muitos xilogravuristas se tornaram tão famosos quanto os autores dos versos. Artistas como os pernambucanos J. Borges e Gilvan Samico são conhecidos em todo o mundo.Os folhetos de cordel possuem um número variável de páginas: 8, 16, 32 ou 48. Os dois primeiros tipos são geralmente destinados a contar algo ocorrido na região, os chamados versos noticiosos. Os mais longos são os romances, que narram histórias de ficção ou da carochinha. Os versos são escritos em sextilhas- estrofes de seis linhas, com sete sílabas cada uma. Raramente também são escritos em septilhas ou décimas.Os cantadores sertanejos atravessam grandes distâncias, movidos pelo prazer do enfrentamento.Quando tem início a peleja, ou desafio, cada um, viola em punho, improvisa seus versos a fim de derrotar o outro. Um duelo poético que surpreende e encanta o público, que acompanha atentamente a disputa. Nessa “luta”, as armas que valem são a imaginação, a rapidez do pensamento e a habilidade com a palavra.O desafio começa com cada um dos cantadores puxando a brasa para a sua sardinha. Fazem, na apresentação, o auto-elogio, contando seus feitos e bravatas, e criticando o adversário. O tom jocoso é muito usado, divertindo os que assistem à disputa. Depois, os poetas louvam às pessoas presentes: a dona da casa, suas filhas, etc. É só um aquecimento para a peleja, que prossegue cada vez mais acirrada, até a derrota de um dos participantes.O improviso corre solto e os desafios podem durar horas, até noites inteiras.A literatura de cordel nos passa muitos ensinamentos e nos prova uma coisa: que o talento não se ganha na escola, e mesmo com uma vida difícil, como a dos nordestinos, é possível se tornar um grande trovador e poeta de nossa cultura. Temos como exemplo o nosso Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré.

Profª Maria do Carmo R. Procaci Santiago

Mesmo assim SOU PROFESSOR COM MUITO ORGULHO!!!

Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados.
Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.Todos nós: pais, alunos, sociedade, precisamos repensar nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.(Paulo Freire).

Que trágico!!! Mas é real!

Mães, mães, geralmente é a vocês que cabe a educação dos filhos, sobretudo no capítulo modos à mesa, arrumação do quarto etc.Não sejam preguiçosas! É mais fácil fazer que ensinar.
Mas tenham coragem, ensinem. E comecem cedo para que os bons hábitos se tornem uma segunda natureza e não um procedimento para se ter só na frente das visitas.Seja rigorosa! Eles vão te odiar às vezes. Você vai querer esganá-los freqüentemente. Faz parte entre as pessoas que se amam.
Mas um belo dia alguém vai dizer o quanto seu filho é educado, prestativo, gentil, querido. Você vai desmaiar de surpresa e felicidade.
Eu nunca me esqueço daquela história da mãe que se dirigiu a uma especialista em boas maneiras para saber com que idade ela deveria colocar seu filho no curso. Ao saber que o filho estava com três meses de idade ela respondeu: "Mas talvez já seja muito tarde!".Não morra de vergonha se seu filho der um vexame a frente dos seus amigos. Não valorize os erros nem dê bronca em público. Nunca trate a criança como se ela fosse uma débil mental, elas entendem tudo!Use sempre um bom vocabulário. Isso aumenta a capacidade lingüística das crianças e não fique para morrer de culpa se algum dia precisar frustrar seu filho, tipo promessa que não pode ser cumprida, etc.Apesar do que dizem os especialistas, uma frustraçãozinha de vez em quando prepara a criança para aprender a suportá-las quando no decorrer da vida elas infelizmente acontecerem.
O palavrão. É dito por todos. Até em televisão, escrito nos jornais, etc. Pretender que uma criança não repita é puro delírio. Vamos moderar. Mas a regra de ouro seria: palavrão na linguagem corriqueira uma coisa, mas não pode ser usado jamais na hora da raiva, da briga. Isso vale também para os adultos.
Ensinem, obriguem seus filhos a cuidarem da bagunça que fazem. O copo de Coca-Cola? De volta pra cozinha. A revistinha que acabou de ler? Para o quarto. Os milhares de papeizinhos de Bis? Amassar e jogar no cinzeiro.A lista não tem fim porque a imaginação de uma criança para instalar o caos onde quer que esteja é também infinita.
Alguns mandamentos: Não sair pra se servir correndo na frente dos outros. O ideal, aliás, seria que as crianças até certa idade fizessem as refeições antes dos adultos, com as mães ali ao lado, patrulhando as boas maneiras.Não deixar cair um grão sequer na mesa. Não encher demais o prato. Há fome no mundo, etc, etc... Se encher que coma tudo. A partir dos cinco anos, não cortar a carne toda de uma vez.Cinco? Talvez eu tenho exagerado. Sete.Não misturar carne com peixe. Macarrão com farofa, etc. Isso é cultura. Pedir licença pra se levantar quando a refeição terminar, pode alegar que precisa estudar, para evitar aquela tortura de ficar na mesa até a hora do café. Um suplício.
Não bater a porta do quarto com estrondo nem quando brigar com o irmão. Só gritar se for por mordida de cobra. Ou ficar mudo ou estático dentro do elevador.Não chamar a amiga da mãe de tia. Alias não chamar ninguém de tia a não ser as tias de verdade. E só pra deixar bem claro: tia Rosina, tia Helena, nunca tia só.
Eu adoro bebês! Quando começa a idade da correria, eu confesso que já adoro um pouco menos. Eu tenho que dizer isso bem baixinho pra não ofender as mães.
Vamos então falar dessa fase sublime: Elas gostam de passar no espaço de quinze centímetros que existe entre o sofá e a mesa, brincam de pique numa sala de dois por três. Colocam a cadeira na frente da televisão, se penduram nos lustres, pintam as paredes da sala, o teto e etc, etc e tudo aos gritos. Eu penso que esta talvez seja a fase de maior energia do ser humano.Ah, é a idade das guerras de travesseiros, das almofadas que voam pela janela. Jovens pais adoram essas traquinagens. Tudo bem. Mas não ache tão estranho se alguns de seus amigos não curtirem tanto quanto você essa fase tão adorável dos seus filhotes. Crianças são difíceis mesmo, é preciso muita paciência pra agüentar o que elas freqüentemente aprontam.Mas as crianças crescem, e um dia querem trazer a namorada pra dormir em casa. Dinheiro para o Motel só se você der. Então o que fazer?
Claro, a gente compreende a situação mas francamente, ter que cruzar no corredor com a gatona despenteada de camiseta e escova de dente na mão talvez perguntando:
"Tia, dá pra me emprestar uma escova de cabelo?" OK, dá. Mas e se você tem três filhos? Vão ser três gatonas? Acho que eu liberaria a casa nos fins de semana e iria dormir no sofá da casa da minha mãe, de um amigo, no banco da praia, deixando a garotada à vontade. Eles e eu numa boa. Mas só até domingo às dezenove horas, nem um minuto a mais.
Mesmo os filhos mais modernos costumam ser caretésemos em relação as suas próprias mães. Portanto, vá anotando, na frente dos filhos: Mãe não namora, não toma mais de um drink, não fala que acha o Jeff Bridge um tesão. Perdão! Mãe não pronuncia essa palavra. Nem sabe o que quer dizer. Não usa mini-saia, não pode adorar Madona, só pode gostar de Roberto Carlos, Julio Iglesias. Eles te amam, mas essas preferências sempre incomodam.Nem amigos comuns se deve ter por precaução. Portanto quando o destino colocar vocês na mesma festa, pareça o que eles querem que você seja, anule-se. Tenha pouca, pouquíssima personalidade. Faça o tipo distinto e alegre, se possível, use uma peruca grisalha. Seja discreta e assexuada, tenha poucas opiniões, se enturme com os mais velhos e trate os mais jovens como se fosse assim uma tia simpaticona, nada mais. Ria das historias deles e não conte nenhuma sua. Mãe não tem passado. Só fale de receitas, crianças, se ofereça pra levar um vestido na costureira pra consertar, tenha bons endereços pra fornecer.Dicas de cozinha, conte como era o mundo do seu tempo, seus filhos vão adorar e depois dessa festa, vá correndo tomar um whisk duplo no bar do Bonju pra não ter um enfarte.Em compensação, na frente dos netos, faça tudo que não deve e muito mais! Netos costumam adorar avós, digamos, fora dos padrões. É que eles sabem que vão poder contar com elas como fortes aliadas nas crises de caretice dos pais.
Cruel? Não... Apenas verdade.
E mais: Isso é que faz o Equilíbrio da Vida.

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Uma professora apaixonada pelo ato de aprender e ensinar!!! Amo o que eu faço e procuro ampliar cada dia mais minhas aptidões,assim posso fazer melhor o que me proponho a fazer: Ensinar de verdade!!!